Resumo de Gardner, H.: Inteligência Espacial in Gardner, H.: Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas, Porto Alegre, Ed Artes Médicas Sul, 1994
Poesia: A inteligência lingúistica exemplificada
Ao falarmos de Inteligência Lingüística, nos referimos à uma habilidade em lidar com todos os aspectos da linguagem e por meio dela da comunicação humana. Compreendê-la é compreender como falamos, escrevemos e nos comunicamos. Neste sentido Gardner nos traz como protótipo da Inteligência Lingüística em ação a POESIA. Isto porque oa autor entende que o poeta é o ser hmano que precisa usar a linguagem em todos as sua variadas nuances, extendendo-a nos seus limites, às vêzes ultrapassando-os.
Operações centrais da linguagem
Em sua atividade o poeta demonstra com clareza as operações centrais. A maior parte de nós, não sendo poeta, não é capaz de fazer uso destas operações centrais com a habilidade deste. No entanto, em maior ou menor grau, todos as usamos.
Uma delas é a grande sensibilidade ao significado das palavras. Por exemplo, escolher a palavra exata é fundamental para um poema: algo de ruim acontece com o personagem; isto é mau, ruim, desastroso, mórbido, catastrófico, letal, mortal, péssimo ou danoso? Qual a diferença entre derramar tinta “intencionalmente”, “deliberadamente” ou “de propósito” ?
Outra é a atenção à ordem entre as palavras, isto é, a capacidade de seguir as regras gramaticais e em momentos escolhidos saber como e porque quebrá-las.
Na esfera sensorial, ser sensível aos sons, ritmos e metros das palavras, o que pode tornar belo um poema mesmo quando apresentado em uma língua estrangeira. E isto explica porque é muito melhor ouvir um poema do que le-lo.
Finalmente a habilidade em manipular as diferentes funções da linguagem: entusiamar, convencer, seduzir, estimular, transmitir informações, ensinar ou simplesmente agradar.
O desenvolvimento de habilidades lingüísticas
A criança, logo aos primeiros meses de vida, mesmo quando surdas, começam a balbuciar. Por volta do segundo ano, inicia a pronunciar palavras isoladas, e após algum tempo concatena-as em frases significativas “nênê chorou”, “comer papá”, etc. Por volta do terceiro ano a complexidade aumenta, inclusive fazendo perguntas. E finalmente aos cinco anos a complexidade e a sintaxe se aproximam daquela exibida pelo adulto.
Há ainda vasta variabilidade individual, tanto na faixa cronológica como ainda no tipo e ordem de atividade lingüística que apresentam. Por exemplo eis o que Jean Paul Sartre escreve aos nove anos de idade:
Ao escrever eu estava existindo… minha caneta corria tão rápido que era comum que meu punho doesse. Eu jogava os cadernos preenchidos no chão e, enfim, esquecia deles, eles desapareciam… Eu escrevia para escrever. Não me arrependo disso; se eu tivesse lido, teria tentado agradar [como o fiz em meus desempenhos orais anteriores]. Eu teria me tomado um prodígio de novo. Sendo clandestino eu era verdadeiro.
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