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O Quadro horário de estudos: Construindo o seu

Agora está na hora de personalizar tudo o que falamos sobre o Quadro Horário, tanto no que se refere aos pressupostos como aos tipos e objetivos. Em adição, há também outros critérios estes pessoais.

Os Pressupostos

Comece estabelecendo o seu “quadro de pressupostos”. É importante que seja escrito porque você vai voltar a ele várias vêzes durante a construção do quadro horário. Ele tem o seguinte formato:

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Note que neste quadro você deve ser específico. Por exemplo, no “O que preciso” não escreva:

“Passar no concurso “X” para aumentar meu salário.”

Isto é claro uma necessidade sua mas não é específico para um quadro horário. Seja mais preciso, escreva:

“Estudar todo dia pelo menos 10 horas por dia”

Agora você foi específico. Definiu (em termos de hora) uma quantidade e uma freqüência. Agora preencha o seu desejo. Posso supor que 70 horas semanais de estudo não seja exatamente o seu sonho de consumo. Então o que você acharia bom? Por exemplo, escreva:

“Estudar 3 horas às segundas e quartas à noite e quatro horas no sábado.”

Agora já se nota uma redução de 60 horas e quatro dias do que você precisa (usando sua razão) em relação ao que você quer (usando a sua emoção). O próximo passo é negociar os dois extremos. E para isto você vai negociar com a realidade. Primeiramente você vaí construir o seu quadro horário preliminar. É como você se lembra, uma tabela com dias e horários. E nela você colocará os seus horários comprometidos. por exemplo higiene pessoal, aulas, trabalho e alimentação. Ah! E não se esqueça do deslocamento. O quadro resultante (hipotético) ficaria assim:

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Note que a sua realidade já ocupou cinco dias da semana no horário de 6:00 às 19:00hs. São portanto 65 horas ocupadas com atividades que impedem o estudo individual.

Claro que sua realidade pode ser melhor. No quadro considerei aulas pela manhã e um trabalho de meio expediente à tarde. Pode ser que você não trabalhe, e neste caso ganha mais 20 horas livres. Mas pode ser pior; o trabalho pode ser durante o dia inteiro e eventuais cursos terão que ser feitos à noite e aí o tempo de estudo se reduz as mesmas 20 horas.

De qualquer maneira o raciocínio é o mesmo. Construir o quadro e nele inserir os horários obrigatórios.

Feito isto o que sobra? Dias de semana à noite e finais de semana inteiros. Digamos que você, pobre mortal resolva separar sábado e domingo à noite para o lazer e acordar um pouco mais tarde no sábado e domingo. Assim, o que você pode fazer (equilíbrio entre precisar, querer e poder) é:

“Estudar de segunda à sexta à noite das 20:00 às 24:00hs, sábado das 7:00 às 20:00hs e domingo das 8:00 às 21:00hs.

E portanto o quadro horário ficaria assim:

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A Distribuição do Horário – Os Critérios Pessoais:

Agora que você já determinou a quantidade total de horas de estudo, está na hora de decidir a sua distribuição. Para esta distribuição leve em conta os seguintes critérios:

  • Importância da disciplina
  • Dificuldade da disciplina
  • Tipo de disciplina 
  • O seu estilo pessoal de aprendizagem

Chamo a sua atenção de que nenhum dos critérios acima é absoluto. Da mesma forma que os pressupostos, você deve equilibrá-los. Por exemplo, talvez você dedique pouco tempo a uma disciplina muito importante porque para você ela é muito fácil. Ou o contrário, mais tempo para uma disciplina secundária já que ela é muito difícil para você.

Importância da disciplina

É óbvio que se o seu objetivo é ober um bom resultado, disciplinas mais importantes terão mais tempo de estudo que as menos valiosas. Portanto a decisão é fácil. Mas o que determina o valor de uma disciplina (ou de parte do seu conteúdo)?

Penso que o equilibrio entre pelo menos três fatores. Na situação escolar normal o primeiro fator é o grau de exigência do professor. Em média as provas são fáceis ou difíceis?

E à medida que você se aproxima do vestibular ou já na faculdade, da sua graduação; qual a importância para a profissão escolhida?  E este é um segundo fator.

Nos concursos, vestibular inclusive, há determinadas matérias que tem um peso relativo maior do que outras. E como a pontuação final é o somatório ponderado de todas as notas; então, com o perdão do trocadilho, este é mais um fator de peso.

Para facilitar, há um planilha publicada ( http://www.forumconcurseiros.com/forum/showthread.php?t=246172 ) que já tem automatizados alguns cálculos. Por ser automatizada tem a vantagem de exigir menos raciocínio. Por outro lado tem o limite de ser focada em concursos e mais que isto levar em consideração apenas dois dos critérios que eu discuto. O primeiro é o relativo à este tópico; a importância da disciplina. Mas mesmo neste caso a importância é definida apenas pelo seu peso no edital. E o segundo critério é o nível do candidato na disciplina, que é parte do que discutiremos à seguir.

Dificuldade da disciplina

O primeiro fator a tornar difícil uma disciplina já foi discutido acima. Professores ou bancas exigentes tornam tudo mais difícil.

Mas há ainda a quantidade e estrutura da matéria. Obviamente quanto mais conteúdo, mais difícil é dominá-la. Mas perceba que há matérias em que o conteúdo é bem organizado e lógicamente organizado. Outras consistem em um compilação de regras. As primeiras tendem a ser mais fáceis de aprender e memorizar que as segundas (dependendo é claro do seu estilo pessoal de aprendizagem).

Um exemplo em Direito são as matérias de “doutrina” onde os temas são apresentados em um contexto de reflexão e argumentação. Em contraste há as de “código” onde o aluno tem logo de cara uma grande compilação de regras, estando o raciocínio mais oculto, pleo menos em comparação com as anteriores.

Tipo de Disciplina

Aqui não se trata do conteúdo, mas da maneira com que ela é apresentada pelo professor. Por exemplo; se você está aprendendo inglês e o foco é a gramática, um estudo prévio o ajudará na aula. Já se o objetivo é falar, não adianta estudar, você tem que praticar, na aula e fora dela. Por outro lado, se o foco está na produção textual, a sua maneira de estudar é escrever e levar os textos para aula. E isto evidentemente influencia a alocação dos horários de estudo no seu quadro.

Um professor pode organizar sua aula de múltiplas formas, mas para simplificar vou dividi-la em dois tipos; as de preleção e as de debate. Esta divisão é um tanto estereotipada, já que durante a preleção é importante haver participação e durante o debate deve haver algum grau de preleção. A preleção dialogada por exemplo, usa estes dois recursos simultâneamente.

Mas reduzindo à sua forma mais típica nas preleções o professor apresenta a matéria, cabendo ao aluno ficar atento. Aqui, eventuais perguntas são permitidas. Este é talvez o formato mais frequente nos cursos, escolas, conferências e palestras. Já na aula participativa a interação é maior. O professor lança um tema e coordena os debates, cabendo ao aluno trabalhar o assunto por meio de exposição oral, diálogo, questionamento, argumentação e etc.

Fica claro portanto que nas aulas de debate, o seu aprendizado depende da sua participação e esta do que você sabe sobre o tema tratado. A quem ignora o assunto, só resta o silêncio. Por isto se a aula é deste tipo, então é conveniente alocar no seu quadro horário um estudo prévio. No dia anterior à disciplina você estuda o assunto, para que possa desenvolvê-lo durante a aula.

No caso da preleção, o oposto não é necessáriamente verdadeiro. Há que se identificar o tipo de preleção. Simplificando há três tipos de preleção: a “didática”, a panorâmica e a de aprofundamento.

“Didática” é aquela aula em que o professor toma um assunto e o disseca completamente, explicando tudo passo a passo. Uso aqui o termo “didática” entre aspas porque este termo é usado pelo senso comum para descrever este tipo de aula. Didática na realidade é uma área de conhecimento bem mais abrangente do que meramente um formato de preleção.

Na aula panorâmica o professor aborda um tema que pela sua abrangência não pode ser apresentado na sua totalidade quer em uma aula, quer em um curso. Ainda mais, há temas que precisam ser refletidos pelo aluno. Precisam ser processados pelo aluno ao longo de algum tempo. Há outros ainda, que se tomados de imediato pelo aluno tornam-se excessivamente difíceis. Por isto o objetivo de uma aula panorâmica é apresentar o tema na sua totalidade, ressaltando os tópicos principais e a ligação entre as partes.

Finalmente uma aula de aprofundamento toma um tema nos seus detalhes. Procura estabelecer relações com outros temas, explicitar conseqüências obscuras, resolver dififuldades, indicar desdobramentos. Aulas de aprofundamento não são para iniciantes.

Dadas estas características fica clara a alocação de horário de estudo. Se para o debate o estudo é anterior, para preleção varia. Assim uma aula “didática” pressupõe a ignorância do aluno no tema, por isto tudo é explicado. E então cabe ao aluno depois da aula estudar o assunto e eventualmente em aulas posteriores resolver dúvidas. O objetivo neste caso é solidificar o aprendizado.

A aula panorâmica neste aspecto é semelhante. O estudo principal deve ser posterior à aula. Mas neste caso é interessante que no dia anterior ou pouco antes da aula (se você dominar técnicas de leitura eficaz), seja feita uma rápida leitura prévia do tema. O objetivo neste caso é o de aproximar-se do tema de modo a facilitar a apropriação da visão de conjunto que será apresentada pelo professor. Para solidificar o assunto então é que você deverá alocar um período de estudo após a aula.

Finalmente nas aulas de aprofundamento você precisa estudar antes E depois. O “antes” aqui refere-se a períodos de estudo alocados no seu quadro horário antes da aula. Mas também se refere a estudos prévios à aula e mesmo à disciplina atual. Note que eu já disse que aulas de aprofundamento não são para iniciantes. Você não estuda álgebra se não souber aritmética, cardiologia se desconhecer anatomia e fisiologia. Neste sentido uma aula (ou curso) de aprofundamento exige pré-requisitos. Por isto antes de se dedicar a uma delas verifique se você os possui.

Então nas aulas de aprofundamento você deve estudar antes para apropriar-se do tema e identificar pontos obscuros. Cabe então alocar periodos de estudo antes da aula. Mas deve também estudar depois para solidificar o aprendizado e também refletir sobre o assunto.

Seu estilo pessoal de aprendizagem

Estilo pessoal de aprendizagem refere-se à sua maneira individual de aprender, às suas preferências de estudo. Leva em conta seu tipo de inteligência, estilo de raciocínio entre outros. De forma mais precisa demanda estudo especialzado. No entanto por agora e para simplificar, há aspectos que você mesmo pode saber.

Por exemplo; você estuda melhor pela manhã ou à noite? Tem mais facilidade com matérias exatas ou humanas? Consegue estudar bem por longos períodos ou precisa de interrupções frequentes? Seu ambiente de estudo ideal é retirado e silencioso ou talvez com algum movimento de pessoas ou sons? Precisa alimentar-se para estudar ou o “lanchinho” o prejudica? Como se sente melhor; “enfrentando” aquela matéria difícil para então desfrutar daquela que te agrada? Ou precisa primeiro “presentear-se” com a fácil para ir “esquentando” e só então dedicar-se à que tem assusta?

Isto tudo importa na hora de escolher o horário. Estudar pode ser muito prazeroso, mas exige sempre um certo esforço e dedicação. Então, a melhor maneira de acertar é aplainar o caminho escolhendo o trajeto de maior probabilidade de sucesso. E isto se faz respeitando seu estilo pessoal de aprendizagem.

Este é um aspecto que muito, mas muito raramente vejo discutido. Particularmente em recomendações para candidatos a concursos públicos. Todos são tratados como se fossem iguais e devessem se submeter aos editais e horários de cursinhos.

Não me entendam mal, é claro que editais e “cursinhos” são importantes. É inteligente ver o que deu certo para outros. No entanto mais importante que isto é você. Não estou dizendo que você deve sempre agir como bem entende.  Pelo contrário, leia o que falei em post anterior sobre o equilíbrio entre o precisar o querer e o poder.

Você deve sempre personalizar seu estudo e também o seu quadro horário. Há em alguns textos alguma referência à personalização. Mas na pesquisa que fiz para construir este texto há apenas a citação de que os modelos apresentados funcionaram para os seus construtores, fazendo-se a ressalva de que pode ser diferente para o leitor.

Mas como personalizar? Mostrar como fazê-lo tem sido o objetivo deste e dos posts anteriores ( “Pressupostos” e “Tipos e Objetivos”).

Finalizando:

Bem como vimos, o quadro horário tem alguns aspectos constantes como o formato, determinação de quantidade de estudo e tempo dedicado à outras atividades obrigatórias, etc. E tem também outros aspectos pessoais, tratados em detalhe neste texto.

Mas se você parar para pensar, até o momento tratei o quadro horário como algo estático. Uma vez construido está gravado em pedra para todo o sempre. Isto não é verdade. Ele é tão fixo como a vida. Novo edital, uma doença, imprevistos, mudanças de professores ou disciplinas, nova bilbiografia a ser explorada, etc, etc, etc. Quantas e com quão regularmente isto ocorre em nossas vidas. Mais que isto, quantas mudanças ocorrem à nossa revelia e que não podemos evitar?

Por conseqüência o seu quadro horário deve mudar. Sempre respeitando os princípios aqui tratados, mas também sempre adequando-se à vida sempre em mudança.

Mas como lidar com tudo isto sem ter que dedicar seu tempo  precioso para mudanças constantes no quadro? No próximo post tratarei disto, apresentando um método proposto por Cal Newport, especialista em estudos de alto nível. É um método que venho usando com muito bons resultados faz já algum tempo.

Até lá!

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Mauricio Abreu Pinto Peixoto | Criar seu atalho

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Todos queremos ser jovens

O vídeo abaixo tem aproximadamente 10 minutos. Fala da geração que nós professores universitários estamos começando a receber. Lidar com ela é e será um desafio cada vez mais comum para todos os mestres.

Nas reuniões docentes em que participo, venho dizendo isto faz alguns anos. Estes alunos que estamos começando a receber são muito diferentes do que conhecíamos e principlamente do que imaginávamos que viria a ser. 

Como disse um aluno meu a propósito deste vídeo;

É assustadoramente fantástico!! Uma ótima produção que nos revela (no papel de educadores) constatações que, acredito,  estão veladas em nós mesmos. 

Este é um vídeo para professores, mas é também para todos que de alguma maneira convivem que esta nova geração.

Aproveitem a mensagem e reflitam, caso assim o desejem…

http://player.vimeo.com/video/16641689?color=c9ff23

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

 

O que você achou da mensagem? Tem algo a dizer?  Ou a comentar?

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Prof. Mauricio Peixoto no Bom Dia Brasil – Inteligências Múltiplas

Para os amigos, alunos e leitores deste blog. Abaixo a entrevista que dei sobre Inteligências Múltiplas. Achei, que para os limites do programa, foi feito um bom trabalho. Espero que concordem.

Prof. Mauricio Peixoto

Clique aqui para ver o vídeo

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Leia também outros posts sobre as Inteligências Múltiplas:

Gardner e as Inteligências Múltiplas
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Como ensinar Metacognição respeitando o estilo de aprendizagem – Um exemplo de video-game (parte 1)

Olá a todos;

Bernadete me pergunta:  Como ensinar a mesma coisa utilizando diferentes estilo de aprendizagem? (queria um exemplo pratico)

Bem, pra começar eu vou mudar um pouco a pergunta:

Como ensinar alguém respeitando o seu estilo de aprendizagem?

E eu mudo a pergunta porque estilo de aprendizagem é individual. Então, cada pessoa posui um único estilo. Assim, se eu estou dando aula para um só aluno, preciso identificar o seu estilo e respeitá-lo. Se a aula é para vários, então é necessário procurar transmitir a matéria de vários formatos, de modo a contemplar as diferenças individuais.

É claro que quanto maior a turma mais difícil personalizar a aula. Uma aula individual pode ser sempre personalizada, já para uma turma nem tanto. No entanto, quando o professor é capaz de apresentar um tema de variadas maneiras, isto favorece o aprendizado. Para um mesmo conteúdo por exemplo:

  1. Ele explica, favorecendo os lógico-matemáticos e linguistas
  2. Ele ilustra mostrando desenhos, mapas ou esquemas, favorecendo os visuais.
  3. Ele conta histórias, anedotas, casos, favorecendo os interpessoais e os intrapessoais.
  4. Ele usa jogos, simulações ou exercícios favorecendo os corpóreo-cinestésicos.
  5. Ele usa sua voz, modulando-a para ressaltar determinados aspectos, ou em alguns casos específicos usa músicas favorecendo os musicais.

Notem que nem sempre é possível fazer tudo isto na mesma aula, e nem todos os temas permitem todas as diferentes formas. É preciso bom senso para lidar com isto.  Mas deixemos de generalidades e vamos para um exemplo prático.

O caso do video-game

Trago como exemplo um dos muitos alunos que costumo atender na Officina da Mente. Vou chamá-lo de João (não é o seu nome verdadeiro). Aqui vocês verão o Método Aprenda a Aprender em ação.

João é um estudante universitário, com difiiculdades em acompanhar o curso. Ele estuda, mas os resultados não são muito satisfatórios. Está também desmotivado. Esta falta de motivação é sim, pelo menos em parte, decorrente do baixo desempenho, mas é também conseqüência da sua relação com o conhecimento. Para ele aprender é uma tarefa difícil e desprazerosa.

Desta breve descrição não se pense que João é burro ou incapaz de fazer um esforço produtivo. Ao contrário, durante a etapa de diagnóstico, mostrou uma inteligência viva e ativa. Tembem desenvolvidas a inteligências lógico-matemática e a lingüística. Apenas não as dirige para o estudo.

Seu foco é o video-game. Nesta área reina altaneiro. Sua especialidade são os jogos de estratégia.Debruça-se sobre eles como um general. Analisa-os, planeja, implementa ações, reflete sobre elas e finalmente consegue resolver todos os desafios. Às vezes dá-se ao luxo, apenas por diversão, de configurar o jogo nos maiores níveis de dificuldade para tornálos mais interessantes. Leva horas e dias jogando, sem cansar-se.

Pois é. Tem um qualidades mas não as dirige para o estudo, apesar de desejar bons resultados. Na realidade, trata o estudo como sendo algo qualitativamente diferente e à parte de suas atividades de lazer. Como veremos a seguir, este é o ponto fulcral onde o trabalho se dará. Precisamos mostrar a ele que sua inteligência que tanto serve ao video-game, é fundamental no estudo e se usada ali trará resultados similares.

O Plano

É preciso planejar. Tenho dois objetivos:

  1. Faze-lo desenvolver uma relação positiva com  conhecimento.
  2. Capacitá-lo a usar estratégias de aprendizagem que tornem seu estudo eficaz.

Para atingir o objetivo 1, o caminho tradicional é: a) Mostrar a importância do nhecimento e, b) Mostrar os benefícios pessoais e sociais do conhecimento. Isto se faz falando sobre o assunto, contando casos pessoais, ilustrando de variadas formas, etc. Só que isto não funcionaria com ele. Racionalmente ele sabe de tudo isto, por isto procura estudar, mesmo que sem sucesso.

O que ele precisa é ter prazer no conhecimento. O processo de conhecer deve ser, ele próprio esta fonte de prazer. E para isto ele precisa ser conhecido. João precisa saber como ocorre o aprendizado para poder aprender.

E isto nos leva ao objetivo 2. Note que neste objetivo useii o verbo “capacitar” e não informar, ensinar ou mostrar. As estratégias de aprendizagem devem ser ferramentas para João. Por isto mais que saber que elas existem ou como funcionam, ele deve apropriar-se delas no sentido de torna-las próprias. E isto é mais do que saber usa-las; é usá-las no contexto adequado. Ele precisa saber quando, como e onde usá-las. Mas também precisa saber por que e para que devem ser usadas. Finalmente, é necessário que isto seja um conhecimento “natural”, no sentidoi que que todas estas condições, razões e objetivos s integrem de forma harmoniosa em sua mente.

Para que isto se dê, cabe apresentar-lhe a Metacognição. Uma ferramenta para o seu pensar no estudo. Para conhecer o seu conhecimento. Para gerenciá-lo. Porque o seu problema primário não é o desinterêsse ou a falta de esforço, mas o desconhecimento de como manipular o conhecimento. Ele precisa descobrir o seu mundo cognitivo, suas particularidades, seus desvãos, seus conteúdos e principalmente os seus próprios processos de de pensar e raciocinar o estudo.

Uma aula tradicional faria o seguinte: a) Definiria a metacognição, b) explicaria seu funcionamento, e do mesmo passo mostraria suas características, c) em seguida mostraria como utiliza-la para então d) fazer alguns exercícios de fixação.

Se eu fizesse isto, talvez João aprendesse sobre Metacognição. Mas este não seria um conhecimento próprio, introjetado. Meus planos são outros. É preciso que ele viva este conhecimento. De certa forma, ele precisa aprender metacognição como se fosse não um novo aprendizado, mas o reconhecimento de algo que sempre esteve lá.

E é aqui que Ausubel nos ajuda. Refiro-me à aprendizagem significativa. Segundo este autor o conhecimento está organizado em uma espécie de árvore cognitiva, na qual os conceitos de ordem mais elevada subordinam os mais concretos. Assim, todos os conhecimentos estão relacionados entre si e um dá significado ao outro. Aprender significativamente é então adicionar um novo conceito à esta trama cognitiva, modificando-a. Se esta modificação pelo novo não ocorre o que temos é a aprendizagem mecânica. O aluno repete mecânicamente aquilo que foi dito, sem entender realmente o que está dizendo. É a velha “decoreba”. E não é isto o que eu quero para o João.

Mas para ensinar significativamente é necessário usar um organizador prévio. Isto é; um conceito que não sendo ele próprio integrante do assunto a ser ensinado dá um ponto de partida para o aprendizado do que ainda não se sabe. Como dizia Ausubel, a coisa mais importante do ensino é saber o que o aluno já sabe e partir daí.

Então,  pergunta fundamental agora é:

  • O que o João já sabe e  pode ser um facilitador para o aprendizado da Metacognição?

Note que eu ressaltei o termo “facilitador”. Isto porque não basta ser conhecido préviamente; é necessário que este conhecimento anterior seja analogo ou faça algum tipo de interface com o novo conteúdo.

E este é o “pulo do gato”. Descobrir algo que partindo dele se passe sem traumas para a metacognição. E no caso do João ficcou muito explícito – O video-game!

Mas o que o video-game de estratégia (como é o caso do João) tem em comum com o estudo? Na minha maneira de ver eu acho que ambos:

  • São desafiadores e exigem ser decifrados. Nos dois há algo desconhecido, que para ser conhecido exige superar algumas barreiras.
  • Exigem raciocínio. Não se passa de uma etapa à outra sem reflexão.
  • Neste raciocicinio, tanto o jogador como o estudante precisam manipular e harmonizar múltiplas variáveis ou conteúdos simultâneamente
  • Exigem esforço. Precisa transpirar para atingir os objetivos. São horas e horas de dedicação.

Concluindo então

Meu plano inicial consiste assim de:

  1. Usar o video-game como organizador prévio.
  2. Apresentar o tema principalmente na perspectiva lógico-matemática, por meio de interação lingüística.
  3. Assim como nos video-games, trabalhar o conteúdo em etapas graduais, passando de um conteúdo mais fácil para outro mais difícil apenas quando o anterior já tiver sido dominado. Notar que aqui uso o conceito de ensino para o domínio, isto é, em cada etapa o aluno deve dominar TODO o conteúdo a ser aprendido.
  4. E também, assim como nos video-games o processo, embora trabalhoso deve conter parcelas importantes de prazer.

Dito assim, ensinar parece complicado e difícil. Mas não é, trata-se de conhecer e aplicar os conteúdos certos. Na próxima semana, mostrarei uma aula exemplo deste maneira de ensinar. Ali vocês verão como foi possível condensar todos estes princípios em uma aula de aproximadamente uma hora. Mostrarei a vocês como ensinei metacognição a este aluno que não gostava de estudar.

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Para saber mais sobre o Método Aprenda a Aprender leia os seguintes posts:

O que é aprender a aprender? Uma metáfora.

O que é aprender a aprender? – Nossos princípios teóricos

O que é aprender a aprender? Nossos fundamentos

Para saber mais sobre o Ausubel (que tambem uso  no Método Aprenda a Aprender) leia o seguinte post:

Aprendizagem: Outros autores – ênfase na pessoa – Ausubel

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CONHECER COMO DANÇA: Uma metáfora

http://sobralensedagemma.blogspot.com/2009/10/secretaria-da-cultura-apresenta_19.html

Ao aproximar as visões de Whitehead, Dewey, Freire e Rogers sobre o conhecimento, Gill entende que, suas contribuições mais valiosas, vão no sentido de reforçar a necessidade de ver a atividade cognitiva como deve ser vista; mais do que uma mera assimilação ou uma recepção passiva.

A principal dificuldade em cada caso é que estes autores não levam suas percepções longe o bastante. Dirigem-se à uma compreensão reducionista e analítica da natureza da experiência cognitiva. Isto se dá na medida em que consideram o aprendiz e o conhecimento como pertencente à realidades separadas e independentes.

Neste contexto, SER é existir como uma unidade independente e autoconstituida. Conhecer é isolar, definir e explicar cada unidade em termos de outras unidades, até que se obtenha o último e irredutível bloco de realidade. Ainda mais, enquanto esta análise não estiver completa, não se pode afirmar o conhecimento o seu sentido mais próprio. Seguindo a concepção de Michael Polanyi, designarei esta visão atomística como “filosofia crítica”.

As implicações educacionais desta visão são amplas. Os sistemas educacionais americano e europeu (*) centraram-se no esforço de aprender a isolar, analisar e explicar os diferentes dados da experiência como partes isoladas a partir das quais o mundo é construído. O resultado final é a compreensão do processo de conhecer assumindo que o aprendiz e o conhecimento são distintos e independentes um do outro.

Este modelo de compreensão explica a prática educacional tradicional de tratar o conhecimento como uma realidade estática, em que o conhecimento de cada conhecedor, o professor, é transferido para outros conhecedores, os alunos. Este modelo contradiz a compreensão filosófica da cognição como primariamente, se não exclusivamente, uma função da mente.

Já a metáfora guia que serve de eixo para as considerações de Gill é a dança. Este autor entende que a característica focal da atividade cognitiva é a interação entre o aprendiz e o meio, tanto físico quando social. “Essa interação relacional consiste em um processo de troca – dar e receber – em que ambos, o aprendiz e o aprender se definem mutua e continuadamente” (pg 2).

Dançar envolve tanto o corpo quanto a mente, é uma atividade social que se relaciona horizontalmente com outros dançarinos e verticalmente com o que se vai dançar. A interação social incorporada numa contínua transformação do meio repousa no centro da cognição humana e deve formar a essência da teoria e prática educacional.

Implícitos nesta metáfora estão três pressupostos sobre o ato ou processo de conhecer:

  1. O conhecer é relacional, isto é decorre da interação entre o aprendiz e o conhecimento
  2. O conhecer é uma atividade. Interagir é agir entre, é uma ação executada pelo aprendiz, que sofre / recebe as influências do meio (físico, social, intelectual, etc). No entanto, mais do que interação entre a mente e o conhecimento apenas, ele também inclui a participação do corpo, de maneira integrada.
  3. O conhecer é social. Não ocorre em um vácuo pessoal. Surge da inserção do homem no seu meio, pressupondo uma linguagem. Esta mais que forma de comunicação é também ferramenta de construção/ modficação do mundo. Ainda mais, é construída socialmente, estando já presente quando aqui chegamos.

Mesmo Dewey, Freire e Rogers nos seus esforços de enfatizar a qualidade relacional da atividade cognitiva, nunca extraíram suas visões do emaranhado da herança epistemológica contida na filosofia moderna ou crítica. Ao explorar a metáfora da dança Gill nos apresenta um amplo esboço da atividade cognitiva; mais adequada e útil do que a apresentada pela filosofia crítica. Procura ainda completar isto explorando a fábrica de experiências de cognição na perspectiva do pensamento de Maurice Merleau-Ponty e Michael Polanyi. Mas isto é tema para “posts” vindouros…

(*) e também o brasileiro

Referência: Gill, Jerry H.: Learning to Learn: Toward a Philosophy of Education (cap 2), – Ed.:Humanities Press Internacional, Inc., Atlantic Highlands, New Jersey, pp 38-9, 1993.

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Leia também:

Uma síntese dos conceitos de conhecimento

O CONHECIMENTO segundo CARL ROGERS

O CONHECIMENTO segundo PAULO FREIRE

O CONHECIMENTO segundo DEWEY

O CONHECIMENTO segundo WHITEHEAD

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O que é aprender a aprender? Nossos fundamentos

Introdução

Na semana passada  introduzimos o tema com a metáfora da piscina. Em resumo, nadar é como aprender. Você precisa aprender a nadar para poder beneficiar-se de um bahno de piscina. O prazer de nadar e refrescar-se em uma piscina pressupõe seu domínio das técnicas de natação. Mas são duas coisa diferentes. Da mesma mesma forma, conhecer um assunto é bom e te dá muitas vantagens. Mas para saber este assunto você precisa dominar as formas de aprendê-lo. Saber algo implica em aprender a aprender, mas uma coisa não se confunde com a outra.

Assim podemos agora fazer uma primeira tentativa de definir o que é aprender a aprender:

Aprender a aprender é a atitude do aprendiz de aprender os procedimentos necessários ao aprendizado de qualquer conteúdo.

Nesta definição rudimentar você percebe que há três termos importantes: atitude, procedimentos e conteúdo. Neste sentido digo que aprender a aprender é uma atitude, isto é, uma predisposição, uma postura ativa do aprendiz, uma decisão de agir. Esta postura é dirigida a um objetivo: apropriar-se de um conteúdo, isto é, saber fazer algo, conhecer um assunto, aproximar-se ou dominar uma área do conhecimento. Mas este objetivo só pode ser atingido por meio de algum procedimento, isto é, diferentes técnicas e/ou maneiras de fazer que permitem o aprendizado do conteúdo.

Estes procedimentos podem ser ações concretas que o aprendiz realiza, mas são também e principalmente formas de pensar tanto o conteúdo como também as maneiras de apropriar-se dele. Há determinados procedimentos que podem ser considerados mais gerais, servindo para qualquer conteúdo. Mas há também aqueles mais específicos, aplicáveis apenas a determinados assuntos.

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Duas dicas para usar a Inteligência Musical em sala de aula.

  Ontem uma leitora deixou um pedido no post sobre Inteligência Musical. Eu ia responder brevemente quando isto me deu a idéia de escrever um post completo (Carol, obrigado pela idéia).

As duas dicas se relacionam com o uso pedagógico das mudanças de estado para manter a atenção dos alunos no tema da aula. Como sabemos, após algum tempo a turma sempre perde a concentração. Por isto é bom variar a aula, e isto é feito promovendo mudanças de estado. Há varios recursos que um professor pode usar. Hoje apresento dois baseados na inteligência musical. Mas atenção, não são recursos universais. Dependem do estilo do professor, do tema e momento da aula, do tipo de turma entre outras variáveis. Dependendo da combinação especícfica pode dar certo ou não.

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