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Mas que coisa! Polissemia e outras coisas…

O texto técnico precisa ser preciso.

Para escrever textos técnicos precisamos ser precisos e claros. E isto nem sempre é fácil, por várias razões. Uma delas é que mesmo que o autor saiba perfeitamento do que fala quando lê o seu texto;  e neste sentido está sendo preciso e claro; por outro lado precisa que que o seu leitor entenda o mais perfeitamente possível o mesmo que o autor.

E este problema de comunicação se dá por conta, entre outras, da polissemia da língua. Isto é, as vêzes uma única palavra assume diferentes significados a depender do contexto onde ela se situa. Notou no parágrafo acima os termos “preciso” e “precisa” ?

Pensava nisto quando recebi o texto abaixo por email. É um belo e criativo exemplo de polissemia. Desconheço o autor, e se alguém souber me avise que eu atribuo a autoria.

Coisa

      A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma
utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

      A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?".

      Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha.

       Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

       Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

       Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

        Devido lugar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

        Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

        Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

        Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".

         Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra  ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.         Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava
nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".

        Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

        Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa…Já qualquer  coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem."

         Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

        A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

         Coisa à  toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".

         Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

        Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas".

ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?

 

Você tem alguma dúvida ou pergunta?

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Mauricio Abreu Pinto Peixoto | Criar seu atalho

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É pra rir ou chorar ?

Pois é, me mandaram como piada. 
Vocês decidem se riem ou choram.

;funny!photo © 2009 Emanuele Spies | more info (via: Wylio)

 

O cara termina o segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade.
O pai, meio mão de ferro, dá um apertão:
- Ahh, não quer estudar? Bem…perfeito. Vadio dentro de casa eu não mantenho, então vai trabalhar…
O velho, que tem muitos amigos, fala com um deles, que fala com outro até que ele consegue uma audiência com um político que foi seu colega há muito tempo atrás:
- Rodriguez!!!! Meu velho amigo!!! Tu te lembra do meu filho? Pois é, terminou o segundo grau e anda meio à toa, não quer estudar. Será que tu não consegue nada pro rapaz não ficar em casa vagabundeando?
Passando 3 dias, Rodriguez liga:
- Zé, já tenho. Assessor na Comissão de Saúde no Congresso, R$ 9.000,00 por mês, prá começar.
- Tu tá loco!!!!! O guri recém terminou o colégio, não vai querer estudar mais, consegue algo mais abaixo…
Dois dias depois:
- Zé, secretário de um deputado, salário modesto, R$ 5.000,00, tá bom assim?
- Nãooooo, Rodriguez, algo com um salário menor, eu quero que o guri tenha vontade de estudar depois….Consegue outra coisa.
- Olha Zé, a única coisa que eu posso conseguir é um carguinho de ajudante de arquivo, alguma coisa de informática, mas aí o salário é uma merreca, R$ 2.800,00 por mês e nada mais….
- Rodriguez, isso não, por favor, alguma coisa de 500,00 ou 600,00, prá começar.
- Isso é impossível Zé!!!

- Mas, por quê???

- PORQUE ESSES SÃO POR CONCURSO PARA PROFESSOR, PRECISA TÍTULO SUPERIOR, MESTRADO ETC…. É DIFÍCIL…

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Era só para saber


Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:

“Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?”

Logo juntou-se um grande número de pessoas com todo mundo gritando:

“Queremos, queremos!”

“Era só para saber”, disse o Mullá. “Podem confiar em mim, contarei a vocês tudo a respeito caso algum dia descubra algo assim”.

Aprenda a Aprender

Sempre fomos levados a acreditar que seriedade está, de alguma forma associada à sabedoria. Imaginamos que o aprendizado só pode ocorrer em meio a caras sérias e olhares profundos.

Através do humor, este mestre sufi nos leva a perceber o caráter paradoxal da vida e nos desvela nossa forma de pensar condicionado.

(Cukierman, H e Cromberg, M.U. Trad.)


Você tem algo a dizer ? Quer ampliar o debate ? Comentários são bem vindos.

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O que faz o Darth Vader quando não está na Estrela da Morte?

Pois é. Quem é o homem comum por baixo daquela máscara? Ele nunca vai ao banheiro? Nunca comeu um Big Mac?

Estas e outras candentes perguntas você descobre clicando na foto abaixo.

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Como escrever sem dizer nada!

Recentemente publiquei um post que fez algum sucesso. Era sobre a tese do coelho em que ele provava que os coelhos são os predadores naturais das raposas e lobos. Na mesma linha, antes mostrei como escrever a tese certa e vencer. Parece que Newton (o tal da lei da gravidade), estava certo: matéria atrai matéria.

Pois vejam o que acabei de receber por email; chama-se EMBROMATION.

  • Você está cansado de passar horas a fio tentando escrever aquele relatório, paper, artigo ou monografia e não conseguir produzir uma única linha?
  • Você fica se perguntando como aquele seu colega idiota consegue terminar o mestrado e você não?
  • Você quer saber o segredo daqueles “pesquisadores” que publicam vinte artigos por ano sem nunca aparecer no laboratório?

SEUS PROBLEMAS ACABARAM! Não é um produto das Organizações Tabajara, mas usando o fabuloso método mágico Embromation você conseguirá muito rápidamente resolver todos os seus problemas.

COMO FALAR MUITO SEM DIZER NADA

A tabela abaixo permite a composição de 10.827 sentenças: basta combinar, em seqüência, uma frase da primeira coluna, com uma da segunda, da terceira e da quarta (seguindo a mesma linha ou “pulando” de uma linha para outra – mas respeitando: uma frase de cada coluna).

O resultado sempre será uma sentença correta, mas sem nenhum conteúdo.

Experimente na próxima reunião e impressione o seu chefe!!!  (ou o professor)

EMBROMATION

Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3 Coluna 4
Caros colegas, a execução deste projeto nos obriga à análise das nossas opções de desenvolvimento futuro.
Por outro lado, a complexidade dos estudos efetuados cumpre um papel essencial na formulação das nossas metas financeiras e administrativas.
Não podemos esquecer que a atual estrutura de organização auxilia a preparação e a estruturação das atitudes e das atribuições da diretoria.
Do mesmo modo, o novo modelo estrutural aqui preconizado contribui para a correta determinação das novas proposições.
A prática mostra que o desenvolvimento de formas distintas de atuação assume importantes posições na definição das opções básicas para o sucesso do programa.
Nunca é demais insistir que a constante divulgação das informações facilita a definição do nosso sistema de formação de quadros.
A experiência mostra que a consolidação das estruturas prejudica a percepção da importância das condições apropriadas para os negócios.
É fundamental ressaltar que a análise dos diversos resultados oferece uma boa oportunidade de verificação dos índices pretendidos.
O incentivo ao avanço tecnológico, assim como o início do programa de formação de atitudes acarreta um processo de reformulação das formas de ação.
Assim mesmo, a expansão de nossa atividade exige precisão e definição dos conceitos de participação geral

Experimente e passe a desfrutar de todas aquelas noites agitadas e dias agradáveis à beira mar !!!

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PS1: Para que o seu repouso seja completo você precisará arranjar um professor que não leia o seu trabalho; mas isto já é tema para outro post.

PS2: O numero de sentenças está errado. Sendo 10 linhas e 4 colunas o numero total é 104 , ou seja, 10.000. Mas isto não importa muito.  Você que já está escrevendo sem dizer nada  não vai se preocupar ainda em fazer contas.  OK?


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A Tese do Coelho

Em um post anterior apresentei um texto meio crítico, meio humorístico sobre  Como escrever a tese certa e vencer. confesso que fiquei um pouco temeroso de ser mal interpretado. Mas vejam o que encontrei no site da PUC em uma página dedicada à Pós-graduação.

  A Tese do Coelho

Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca, com o "notebook" e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:

-Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?

-Estou redigindo a minha tese de doutorado, disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.

-Hummmm… e qual é o tema da sua tese?

-Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas. A raposa ficou indignada:

-Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!

-Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu te mostro minha prova experimental.

O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois… silêncio. Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma aos trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido. Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda e resolve então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:

-Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?

-Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.

O lobo não se conteve com a petulância do coelho:

-Ah! Ah! Ah! Ah! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa…

-Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me a minha toca? O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e… silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível e volta ao trabalho de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido. Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado, palitando os dentes.

MORAL DA HISTÓRIA:

1.Não importa quão absurdo seja o tema de sua tese;

2.Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;

3.Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;

4.Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos;

5.O que importa é QUEM É O SEU ORIENTADOR…!

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Como pudemos sobreviver aos Anos 60 ?

É algo nostálgico, nem sempre preciso, mas traz boas lembranças. E se você não viveu nesta época, descubra um tempo que já passou (mas quem sabe pode, pelo menos, em parte voltar).

ComoPudemosSobreviverAosAnos60(Clique na imagem para ver a apresentação)

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